Fertilizantes organominerais

Entenda o que são fertilizantes organominerais e como usá-los

A produção e a utilização de fertilizantes organominerais não são recentes, uma vez que foram introduzidos no Brasil no início dos anos 1980. Sua adoção, no entanto, tem crescido à luz dos estudos e resultados muito favoráveis que têm demonstrado em diferentes lavouras.

Seus efeitos positivos sobre o solo e as plantas justificam seu emprego. Além disso, oferecem outras vantagens para o produtor e para o agronegócio nacional.

Continue a leitura e entenda o que são fertilizantes organominerais e como usá-los.

O que são fertilizantes organominerais?

A qualidade de um solo para o melhor desempenho da lavoura depende principalmente de suas condições físico-químicas. Estas, por sua vez, podem ser melhoradas por meio da adoção de técnicas e práticas agrícolas conduzidas pelo produtor rural, assim como ocorre com a tecnologia no campo.

Entre essas práticas, está a aplicação de fertilizantes, com destaque para os organominerais. São constituídos por adubos orgânicos enriquecidos com nutrientes na sua forma mineral — ampliando, dessa forma, suas possibilidades de atender às necessidades de nutrição das plantas cultivadas.

Grosseiramente, a simples mistura de um adubo mineral com matéria orgânica poderia constituir um fertilizante organomineral. No entanto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) define, em sua Instrução Normativa nº 25, de 23 de julho de 2009, o que seja fertilizante organomineral e suas características.

Assim, segundo aquela norma, o fertilizante organomineral é a mistura física ou a combinação de fertilizantes minerais e orgânicos que atendam aos seguintes parâmetros:

  • carbono orgânico: mínimo de 8%;
  • umidade: máxima de 30%;
  • capacidade de troca catiônica (CTC): mínima de 80 mmolc kg-1;
  • macronutrientes declarados para os produtos com micronutrientes primários: teores mínimos de 10%.

A ação desses fertilizantes não se limita a nutrir, mas objetiva ainda aprimorar as condições do solo, sobretudo melhorando sua atividade biológica, o que tem reflexos positivos nas características originais do solo. Sua utilização, além do aporte nutricional mineral, resulta no fornecimento de matéria orgânica, principalmente substâncias húmicas que agregam uma série de benefícios.

O mercado oferece uma grande variedade de fertilizantes organominerais, inclusive em sua forma de comercialização, alguns granulados e outros peletizados. Esses aspectos de apresentação também são normatizados pelo Mapa.

Quais as vantagens de sua utilização?

O uso de fertilizantes organominerais traz vantagens para o produtor rural, com destaque para os benefícios nas características do solo e para as plantas e sua produtividade. Veja a seguir as principais contribuições de sua utilização.

Benefícios nas características do solo

  • Aumento da CTC do solo: a CTC é a capacidade do solo trocar cátions, isto é, íons de carga positiva como os de cálcio, potássio e magnésio.
  • Estímulo à atividade da biota microbiana: os microrganismos benéficos às plantas são estimulados com a incorporação de matéria orgânica.
  • Neutralização de substâncias tóxicas: a formação de moléculas complexas de elementos tóxicos, como alumínio e metais pesados, impedem que sejam absorvidos pelas plantas.
  • Aumento da disponibilidade de fósforo: a formação de complexos de óxidos de ferro e alumínio libera o fósforo do solo para ser aproveitado pela lavoura.
  • Aumento da capacidade de retenção hídrica: o solo consegue reter mais água em razão da matéria orgânica do fertilizante.

Benefícios para a lavoura

  • Maior desenvolvimento radicular: melhora a capacidade de absorção de água e nutrientes pelas plantas.
  • Maior desenvolvimento vegetativo: o crescimento das plantas é estimulado.
  • Maior resistência ao estresse ambiental: a disponibilidade de água, as variações de temperatura e a aplicação de defensivos são mais facilmente toleradas pela lavoura.

Além de tudo isso, é importante ressaltar que os fertilizantes organominerais utilizam, como matéria-prima, material considerado passivo ambiental. Isso significa que sua produção, além de tudo, também auxilia à destinação regular de resíduos orgânicos.

Que diferenças os organominerais apresentam?

Essencialmente, os fertilizantes organominerais diferem dos fertilizantes minerais tradicionais pela presença da matéria orgânica que agregam. No entanto, esse pequeno detalhe é grande em seus resultados.

Como você viu no tópico anterior, há uma série de benefícios para o solo e para as plantas, resultantes quase todos da presença da matéria orgânica. Além disso, a possibilidade de incremento com matéria orgânica local é estratégica e economicamente interessante para o país.

Isso porque o Brasil ainda é muito dependente da importação de fertilizantes minerais. Desse modo, é possível ampliar em volume o aproveitamento dos fertilizantes importados agregando matéria orgânica disponível em grandes quantidades.

Nos fertilizantes organominerais, os nutrientes solúveis (minerais) estão envoltos por uma camada orgânica. Essa matriz protege, por exemplo, o fósforo do contato direto com o solo. Com isso, evita-se a sua perda resultante da fixação promovida por óxidos de ferro e alumínio.

Da mesma forma, a camada de matéria orgânica também limita as perdas do nitrogênio e do potássio, porque a fase orgânica é insolúvel em água. Assim, quando em contato com o solo e por ação da biodegradação, esses nutrientes são liberados de modo contínuo durante toda a fase de crescimento das plantas.

Como utilizar organominerais em sua lavoura?

De maneira geral, todas as culturas respondem de modo positivo à utilização de fertilizantes organominerais. Entre aquelas que têm empregado com sucesso esses fertilizantes, podem ser destacadas:

  • milho;
  • soja;
  • feijão;
  • trigo;
  • aveia;
  • café;
  • cana-de-açúcar;
  • batata;
  • olerícolas em geral.

Quanto à sua aplicação, os fertilizantes organominerais fazem uso da mesma mão de obra da fazenda. Eles podem ser utilizados como os adubos minerais tradicionais, acrescentando com isso as vantagens da matéria orgânica que incorporam. Ao mesmo tempo, podem ser empregados como adubação orgânica enriquecida com minerais.

Dessa forma, sua aplicação pode ser feita no preparo do solo, na semeadura, no transplante de mudas ou como adubação de cobertura. Não há restrições para a sua utilização em sulcos paralelos às linhas de cultivo, assim como após uma capina nas entrelinhas da lavoura.

Por sua vez, sabe-se que organominerais potencializam o aproveitamento dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio (N, P e K, respectivamente), reduzindo a demanda por esses minerais. Além disso, seu emprego eleva o poder fertilizante residual para uma segunda safra.

Como você pode ver, os fertilizantes organominerais constituem uma ótima opção para o fortalecimento dos solos e aporte nutricional para sua lavoura, acrescentando ainda diversos benefícios e vantagens a ponto de você não querer mais deixar de utilizá-los.

Agora que você já viu o que são os organominerais e como empregá-los, aproveite para conhecer os principais tipos de pulverizadores utilizados nas atividades agrícolas!

Quer receber nossas novidades e conteúdos?

Cadastre-se e receba por e-mail em primeira mão.

E-mail cadastrado com sucesso
Ops! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, verifique se o captcha está correto.

2 Comentários

Diga o que está em sua mente

Seu endereço de e-mail não será publicado.