Conheça os principais insumos biológicos e como aplicá-los

Conheça os principais insumos biológicos e como aplicá-los

Os insumos biológicos são cada vez mais utilizados na agricultura por gerarem mais economia e sustentabilidade, proporcionando conformidade com os critérios ambientais e sociais de ASG (Ambiental, Social e Governança). Isso é possível com a aplicação de técnicas para o controle biológico de doenças e pragas, a promoção do crescimento de plantas e a fertilização do solo. 

Essa tendência gerou o projeto PL 3668/2021, aprovado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA) em setembro de 2023. Ele regulamenta a cadeia de uso de bioinsumos na agricultura, com o intuito de incentivar a transição dos insumos de origem fóssil para os biológicos. 

Para um melhor entendimento sobre o assunto, neste artigo, abordaremos os conceitos de insumos biológicos, suas diferenças em relação aos químicos, os principais tipos e a importância de adotar um sistema mais sustentável.

Além disso, também explicaremos o que é o controle biológico e como aplicá-lo. Confira! 

O que são insumos biológicos?

Os insumos biológicos se referem a produtos ou a processos agroindustriais elaborados a partir de extratos (de microrganismos ou de plantas), enzimas, micro e macrorganismos (invertebrados), feromônios e metabólitos secundários, visando ao controle biológico. 

O desenvolvimento dos bioinsumos — como também são chamados — se originou no estudo das relações ecológicas que os diferentes organismos conseguem estabelecer em um determinado agroecossistema, sob algumas circunstâncias. Eles representam os resultados de muitos anos de pesquisas e investimentos na busca de tecnologias sustentáveis para a agricultura. 

Além de combater naturalmente as pragas e doenças, eles também são utilizados como ativos para a nutrição, o crescimento de plantas e a mitigação de estresses bióticos e abióticos, servindo como substitutos de antibióticos. 

Quais são as diferenças entre insumos biológicos e insumos químicos?

Quando comparados aos químicos, os bioinsumos proporcionam vantagens que extrapolam seus efeitos diretos. No longo prazo, a substituição dos químicos pelos biológicos tende a beneficiar a agricultura do futuro, contribuindo para a promoção da sustentabilidade na produção agrícola, bem como a preservação da natureza e do meio ambiente por meio da diminuição dos impactos ambientais. 

Os bioinsumos também auxiliam no aumento da produtividade, a fim de garantir a manutenção da segurança alimentar e agregando valor ao produto. Adicionalmente, a redução dos custos com aplicações de fertilizantes e defensivos é outro fator importante por impactar diretamente a rentabilidade da lavoura. 

os insumos químicos, como os herbicidas, são altamente nocivos. O uso intensivo desse tipo de produto para combater pragas, impacta a saúde das pessoas, desde os trabalhadores agrícolas até o consumidor final. As intoxicações causadas podem, inclusive, evoluir para doenças crônicas, como o câncer e a impotência sexual. 

Além disso, o uso intensivo de insumos químicos na agricultura provoca: 

  • contaminação do solo, da água, dos alimentos e dos animais; 
  • desequilíbrio biológico — altera a ciclagem de nutrientes e da matéria orgânica; 
  • eliminação dos organismos benéficos — reduz a biodiversidade; 
  • resistência de pragas a princípios ativos. 

Quais são os principais tipos de insumos biológicos?

Atualmente, há diversos tipos de insumos com agentes biológicos de controle, formulados com organismos vivos que controlam as pragas, desempenhando as funções de predadores e inimigos naturais. 

Em seguida, destacamos alguns dos principais e suas respectivas funções. 

Biocondicionadores de solo

São os compostos orgânicos que otimizam a estrutura do solo. Com eles é possível aumentar a capacidade de reter água e nutrientes, promovendo o crescimento das plantas. 

Biodefensivos

Produtos que contam com tecnologias projetadas para o controle de pragas e doenças agrícolas, elaborados a partir de plantas com propriedades inseticidas ou extratos vegetais repelentes, bem como de microrganismos específicos. 

Biodesalojantes

São bioprodutos que aproveitam as condições da natureza para estimular o deslocamento de insetos que se escondem em partes de plantas que os defensivos não conseguem atingir. Por exemplo: o cheiro de cebola ou alho que os incomodam, expulsando-os de seus alojamentos. 

Bioestimulantes

Produtos que estimulam os diferentes processos metabólicos das plantas. Nesse sentido, a aplicação permite aumentar o desenvolvimento radicular, a frutificação e a floração, bem como a resistência aos estresses abióticos — como o calor excessivo e a seca. 

Biofertilizantes

São produtos essenciais para o solo por estimularem a ação de microrganismos que melhoram a nutrição e a porosidade da terra, refletindo positivamente nas partes mais profundas das plantações — inclusive nas raízes. 

Biofungicidas

Formulados à base de microrganismos (fungos ou bactérias) que definem o princípio ativo desses produtos. Eles são os responsáveis por toda a dinâmica que envolve o biocontrole dos fungos que podem atacar a plantação. 

Bioinoculantes

Contêm microrganismos benéficos, especialmente as bactérias promotoras do crescimento vegetal, fixadoras de nitrogênio ou que contribuem para a solubilização de nutrientes, disponibilizando-os para as plantas. 

Bionematicidas

Bioinsumos formulados com microrganismos que defendem as plantações por meio da captura, paralisação ou desorientação dos nematoides que podem ameaçá-las. 

Biorreguladores

Regulam o crescimento das plantações por meio da ação de algas e aminoácidos que agem na arquitetura das plantas, melhorando a eficiência fisiológica. Por meio deles, é possível aproveitar melhor a ação do tempo de maturação e otimizar os benefícios de outros insumos. 

O que é controle biológico?

Refere-se à aplicação de ações para controlar os insetos transmissores de doenças e as pragas agrícolas com a utilização de seus inimigos naturais, os quais podem ser outros insetos benéficos, parasitoides, predadores ou microrganismos — como os fungos, as bactérias e os vírus. 

É um método de controle sadio e racional, que utiliza inimigos naturais por não deixarem resíduos nos alimentos, sendo inofensivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Todo o conhecimento e a tecnologia aplicados para isso são obtidos por meio de muita pesquisa. 

O objetivo principal é reduzir a aplicação de pesticidas químicos no combate de pragas e doenças. Dessa forma, é possível contribuir para a melhoria da qualidade dos produtos agrícolas, diminuir a poluição ambiental e preservar os recursos naturais, a fim de promover a sustentabilidade dos agroecossistemas. 

Como é feito o controle biológico?

O controle biológico é feito por meio de um contra-ataque natural às pragas e doenças nas plantações utilizando inimigos naturais. 

Isso é possível por existir diversos organismos vivos no ecossistema, que se alimentam de animais e plantas. Eles atuam como predadores, parasitoides ou patógenos (fungos e bactérias), conforme detalhamos a seguir. 

Predadores

Os predadores são os organismos que apresentam um comportamento predatório em cada estágio de vida, necessitando consumir uma certa quantidade de presas para conseguir se desenvolver até atingir a fase adulta. 

Eles atuam como predadores com a própria espécie, precisando de mais de um ser vivo para completar o seu ciclo de vida. 

A joaninha Cryptolaemus Montrouzieri é um exemplo de predador utilizado no controle biológico, agindo em diferentes espécies de pulgões e cochonilhas. 

Parasitoides

Os parasitoides são organismos que necessitam de um hospedeiro para completar o ciclo de vida. Eles se referem aos insetos que podem parasitar nas diferentes fases de desenvolvimento da praga. 

Alguns exemplos são as famílias de Hymenoptera e Diptera, que incluem as espécies com padrões variáveis e que mudam conforme o seu ciclo. Os mais utilizados em programas de controle biológico são os Trichogramma e a Cotesia. 

Patógenos

A utilização de patógenos envolve a contaminação das pragas com doenças por meio de vírus, fungos ou bactérias, provocando a morte lenta. 

Exemplo desse tipo de controle biológico é o Fusarium, com utilização do fungo Trichoderma. 

Quais são as vantagens do controle biológico na agricultura?

O controle biológico proporciona diversas vantagens quando comparado ao uso de produtos químicos para combater as pragas e doenças na lavoura. Confira, a seguir, alguns dos principais. 

MANUTENÇÃO COM BAIXO CUSTO 

Manutenção com baixo custo

Os inimigos naturais colocados no meio ambiente conseguem se sustentar, muitas vezes, diminuindo a população de pragas que deveriam controlar. Com isso, após a primeira introdução de insetos, há uma baixa necessidade de esforço e investimento para manter o sistema funcionando. 

Aumento na rentabilidade

No longo prazo, o controle biológico aumenta a rentabilidade, já que não exige constantes investimentos. Gera apenas um custo inicial com a introdução de uma nova espécie no ambiente. 

Estratégia eficiente

Essa é uma estratégia eficiente, principalmente se considerarmos que os produtos químicos utilizados para matar ervas daninhas também podem prejudicar as plantas. Já o controle biológico não afeta a produção, pois as plantas daninhas são destruídas pelos seus inimigos naturais. 

Como aplicar o controle biológico para melhorar os resultados na produção rural?

Há duas principais maneiras de aplicar o controle biológico: com organismos microbiológicos ou com macrobiológicos.  

Os primeiros se referem às bactérias, vírus, fungos e protozoários introduzidos na área, que parasitam ou geram doenças nas populações de pragas. É o chamado controle biológico natural, pois visa combater as pragas naturalmente, por meio do equilíbrio do ecossistema. Assim, seu maior objetivo é conservar os predadores existentes no ambiente. 

Já os macrobiológicos são inimigos naturais que parasitam as pragas ou se alimentam delas. Esse é o chamado controle clássico, quando traz inimigos de outras localidades e aplica-os nas áreas que necessitam de maior proteção. 

Exemplos práticos

Exemplo desse tipo controle biológico usado no Brasil é o aplicado na cultura da cana-de-açúcar. A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é a praga mais ameaçadora nesse caso. O controle com produtos químicos é muito difícil, porque elas se alojam no interior dos colmos da cana para se protegerem. 

Em situações como essa, utilizam-se os parasitoides larvais Cotesia flavipes e os parasitoides de ovos Trichogramma galloi como agentes biológicos. Outra praga dessa cultura é a cigarrinha-da-raiz, que pode ser combatida de maneira eficiente por meio do fungo Metarhizium anisopliae. 

Além desses exemplos, podemos citar o besouro coprófago, utilizado para controlar a mosca-dos-chifres, um dos grandes problemas na pecuária nacional. 

Para a citricultura, que sofre com diferentes pragas — como o cancro cítrico —, é possível utilizar diferentes agentes de controle biológico, como: 

  • joaninha (Rodolia cardinalis) — para o controle da cochonilha Icerya purchasi; 
  • parasitoides (Aphytis lignanesis e A. holoxanthus) — no controle de diaspidídeos (Homoptera, Diaspididae); 
  • microvespa (Aageniaspis citrícola) — recentemente introduzida no Brasil para controlar a ação da larva minadora das folhas dos citros (Phyllocnistis citrella). 

Além disso, é possível fazer o controle biológico de maneira artificial. Nesse método, os predadores são criados em laboratórios e introduzidos junto às pragas. Esse é o mais utilizado pelos produtores, por apresentar maior rapidez no combate. 

Como escolher os insumos biológicos para a sua fazenda?

A escolha do tipo de controle ideal a ser usado nas suas plantações é essencial para ter sucesso no combate das pragas, pois o manejo incorreto também pode causar prejuízos. Mas, para escolher os bioinsumos mais adequados para a sua fazenda, é preciso definir o objetivo da aplicação e os resultados esperados. 

Para isso, é fundamental fazer uma análise ampla e aprofundada sobre o seu agroecossistema, considerando o perfil do solo, a relação solo-planta e os impactos que os insumos e os métodos de manejo podem provocar na sua lavoura. 

Isso porque quando aplicamos o cloreto de potássio (KCl), por exemplo, podemos reduzir a eficiência de alguns tipos de bioinsumos. Essa situação pode acontecer especialmente quando se tratar de produtos que apresentam microrganismos como agentes. 

Por que isso acontece? O KCl tem um alto poder biocida, devido à alta concentração de cloro encontrada nesse fertilizante potássico. Por isso, é recomendável substituí-lo, caso utilize insumos biológicos na sua lavoura. 

Escolha produtos certificados pelo IBD

Um aspecto importante na escolha do bioinsumo é optar pelos que apresentam garantia de qualidade IBD (Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural), agência certificadora que inspeciona e certifica a agricultura, a pecuária, os ingredientes e os produtos no Brasil. 

Os bioinsumos certificados pela IBD são avaliados por um rigoroso processo que garante conformidade com a Anvisa, Mapa e Ibama, entre outros. Além disso, garantem a ausência de substâncias e técnicas proibidas. 

Todos os produtos certificados obedecem ao nível máximo de contaminantes permitido e prezam a integridade das suas características, bem como o controle de rastreabilidade. 

Conforme mostramos ao longo deste artigo, os insumos biológicos são importantes meios de combater pragas e promover uma agricultura sustentável. Essa é uma excelente forma de prosperar o seu agronegócio com sustentabilidade, respeitar o meio ambiente e oferecer produtos mais saudáveis. 

Como você se interessou por este artigo, acreditamos que irá gostar também do conteúdo exclusivo que preparamos sobre as principais práticas da agricultura regenerativa. 

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